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Calouros de classe mais baixa superam elite na USP
O número de alunos ingressantes na Universidade de São Paulo (USP)
da classe D superou neste ano a quantidade de calouros das classes A
e B. Dos 10.557 aprovados no último vestibular, 1.850 (17,52%) têm
renda familiar mensal entre dois e três salários mínimos, ou seja,
de R$ 930 a R$ 1.395, e 1.427 (13,52%), acima de dez, ou seja, mais
de R$ 4.650.
No vestibular anterior, também realizado pela Fuvest, a classe D
respondia por 15,25% dos aprovados contra 15,66% das classes A e B.
O valor do salário mínimo é de R$ 465.
As informações constam no relatório divulgado na última quinta-feira
pela pró-reitora de graduação da USP, Selma Garrido Pimenta, no qual
é feita uma análise dos resultados do Programa de Inclusão Social da
universidade (Inclusp), criado há três anos para reduzir a
desigualdade social no perfil dos alunos. Desenvolvido para que a
USP não precisasse implementar o sistema de cotas, adotado
atualmente por parte das universidades federais, o Inclusp concede
até 12% de bônus na nota para estudantes egressos de escolas
públicas.
De 2008 a 2009, a quantidade de alunos aprovados que cursaram todo o
ensino médio no sistema público subiu de 2.706 para 3.146 - ou 30,1%
do total das vagas, sendo que 953 deles só entraram na faculdade em
razão da bonificação concedida. É a maior participação de egressos
da rede pública desde a criação do Inclusp - nos anos anteriores, o
porcentual de aprovados ficava na casa dos 26%.
Para Selma, a mudança no perfil dos novos estudantes da USP reflete
o sucesso do Inclusp. "Esses resultados são importantes para que as
escolas (públicas) e os professores possam trabalhar com os alunos a
importância de se fazer o ensino superior em uma universidade. Os
estudantes, de modo geral, estão precisando de mais informações para
abrir perspectivas de como podem se colocar melhor na sociedade",
diz a pró-reitora de graduação.
Selma defende a inclusão social e se apoia em estudos desenvolvidos
na própria USP para demonstrar que o nível do estudante da
universidade tem se mantido com o programa. "É importante lembrar
que os universitários (egressos de escolas públicas) apresentam
desempenho igual ou superior aos demais", afirma. O impacto do
Inclusp atingiu também alguns dos cursos mais concorridos do
vestibular da Fuvest. Em Medicina, por exemplo, o porcentual de
alunos oriundos de escolas públicas saltou de 9,7%, em 2008, para
37,7%, em 2009. As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.
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