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TRANSGRESSÃO TEM LIMITE
É claro que a transgressão é própria do comportamento jovem. Fui
jovem nos anos 60/70 e sei disso muito bem. Naquele tempo era
proibido proibir, não se confiava em ninguém com mais de 30 anos,
tinhamos os hippies e, claro, as brigas entre colégios... Eram os
adolescentes os principais personagens das histórias. Biológico ou
cultural, o fato é que o comportamento do adolescente na sociedade
burguesa, podemos dizer, chega a ser estimulado a transgredir.
Há um discurso que o obriga a isso. Mas, tudo tem limite.
A Revista Digital do Jornal O Globo desta semana está com uma
reportagem muito interessante sobre a questão das transgressões
que acontecem através da Internet. A reportagem serve como
alerta aos pais de crianças e adolescentes quanto a atos que
podem retornar em estragos sérios na vida de cada um deles.
O entrevistado (Richard Guerry) fala da onda de processos por
pornografia virtual que está acontecendo nos Estados Unidos.
Pornografias, hoje, estimuladas pelas tecnologias digitais
que, mal usadas, não estão dando espaço para um comportamento
responsável no sentido de perceber o limite entre o público e o
privado. Um aparelho celular; uma foto resultante de um momento
de intimidade; o envio por um site de relacionamento; e pronto.
A reportagem fala, além disso, do Cyberbullying que é o fato
de um grupo ou uma pessoa ameaçar física ou psicologicamente uma
outra na Internet (já falei aqui no blog sobre o bullying).
Mas, o artigo se concentra nos chamados sexting e
sexcasting - trânsito, com ou sem autorização, de imagens de
pessoas peladas, em roupas íntimas ou fazendo sexo. Essas
divulgações podem ser consideradas criminosas em algumas sociedades
– afinal há regras para a divulgação da nudez (estou usando os
termos em inglês por me referir a um trabalho de pesquisa que está
acontecendo nos Estados Unidos e não tenho dados de algo semelhante
no Brasil).
A verdade é que as transgressões próprias da adolescência estão se
transformando em atitudes de grave DELINQÜÊNCIA. Por
desconhecimento, inexperiência, inocência, mas o fato é que meninas
e meninos brincam de trocar fotos sensuais na WEB e quando
vêem, essas fotos estão viajando por todos os espaços da rede,
principalmente pelos sites de relacionamentos.
Tudo pode sair do campo da brincadeira e passar para uma situação de
grave constrangimento. Esse jovem será o adulto de amanhã. E como é
que ele vai lidar no futuro com fatos como suas fotos sendo
divulgadas sem controle na Internet? Como ele será visto pela
empresa para a qual vai trabalhar no futuro? Pela família que
talvez venha a formar? Pelos amigos que estará colecionando ao longo
de suas vidas? E por ele mesmo quando a imaturidade se for?
Pais e educadores precisam, verdadeiramente, pregar uma
consciência sobre as conseqüências do mau uso da tecnologia.
Cada um faz da vida o que quer. Há quem faça da nudez e do próprio
corpo o seu trabalho, sua forma de ganhar dinheiro. Somos
responsáveis por nossas escolhas. Mas essa responsabilidade só pode
existir se temos consciência de nossos atos.
Será que seu filho ou sua filha têm essa consciência? Será que
eles sabem disso?
http://www.jblog.com.br. Disponível em 11/09/09
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